Popularmente festejado nas comemorações do mês de junho, juntamente com Santo Antônio e São Pedro, São João, o mais importante dos festejados, tanto pelo parentesco com o Senhor, quanto pelo seu próprio papel no mistério da Salvação.

São João é um dos poucos santos em que se celebra o nascimento. Geralmente celebra-se a morte de algum santo ou outra data de grande relevo de sua ação no mundo. São João é exceção. Apenas a Virgem Maria e o próprio Cristo, celebramos o nascimento.

Como uma criança, vestido com sua típica roupa de pele de camelo, é o santo representado, com cabelos enrolados em caracóis e com o cordeiro, lembrando a sua fala evangélica que proferirá na idade adulta no encontro com o primo às margens do Jordão: Eis o cordeiro de Deus! (Jo 1, 29) Para nós, é São João do carneirinho.

Dizem que Isabel, sua mãe, a fim de avisar sua prima Maria, de que seu filhinho nascera, mandou acender uma grande fogueira, para que com o sinal luminoso que dela emergia fosse perceptível de longe. Nasceu o precursor, os caminhos serão aplainados para que o Salvador por ele pudesse caminhar. Assim, para celebrar o dia, todos os anos é costume acender uma fogueira diante da porta de casa e ao redor dela reunir a família e os amigos, realizando uma verdadeira festa.

E como toda boa festa que se preze, a comida é bem preparada. No Brasil, principalmente na região Nordeste, onde há uma fartura do milho, fruto simples e acessível aos simples, este foi sendo muito bem explorado para o banquete do Joãozinho. Além de se comer o fruto na sua forma pura, seja assado ou cozido, a criatividade nos legou maravilhas culinárias como canjica (curau), pamonha e mungunzá (canjica). O arroz, que chegou tempos depois, foi incrementado com o açúcar dos engenhos, tão típicos da zona da mata.

Festa gostosa e colorida com as bandeirolas dependuradas de canto a canto, os vestidos de chita e os chapéus de palha nas cabeças, animam o olhar e o ouvido com a vibração da sanfona, a batida da zabumba e o tilintar do triângulo, formando o trio fundamental que dá origem ao forró, que de um inglês aportuguesado por gente simples, é para todos se divertirem. E realmente, para todos mesmo. É uma festa onde a família se faz presente, desde as crianças, jovens, adultos e os de mais idade. Uma festa verdadeiramente democrática.

Na prece que se faz ao santo menino com o carneirinho nos braços nus, pede-se perdão pelas faltas, mas também se agradece pelo que se conquistou, além é claro, de pedir sua proteção.

E o menino de olhos grandes e feições meigas, observa a todos e os abençoa, lembrando que festejar é importante e salutar.

Alegria, alegria! O precursor nasceu e Jesus que ele anuncia é a nossa salvação. Viva São João!

 

 

 

 

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo

 

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