Os dois apóstolos que celebramos em 29 de junho, São Pedro e São Paulo, são duas maneiras distintas do agir cristão. Sabemos das divergências que ambos tinham, mas apesar disso se respeitavam. Unir os dois numa única celebração, além de lembrar da importância das diferenças, evoca principalmente a complementariedade entre eles. Sabemos também que a data dá maior destaque a São Pedro, que a cultura popular até se esquece de lembrar que no mesmo dia também celebramos Paulo. Há outras datas festivas durante o ano, além de 29 de junho, que fazem referencia aos dois. Em 25 de janeiro celebramos a conversão de São Paulo. Quase um mês depois, em 22 de fevereiro, lembramos a Cátedra de São Pedro.

Inicialmente a missão de Pedro se concentrou em Jerusalém, para apenas bem mais tarde se dirigir a Roma. Paulo, por sua vez, realizou algumas viagens, fundando comunidades por onde passou, ganhando, por isso, o epíteto de Apostolo dos Gentios. Os dois em mais de uma vez foram perseguidos e presos e alguns episódios bíblicos transmitem fugas espetaculares. Também eles realizaram milagres e possuíam boa oratória, de modo que com as palavras que proferiam muitos se converteram à fé no Cristo.

A arte também se encarregou de juntá-los. Podemos vê-los reunidos em telas e até mesmo esculpidos em fachadas de muitas igrejas. No interior da basílica do mosteiro de São Bento de São Paulo o visitante se deslumbrará com toda a arte nela presente. De modo especial, chama a atenção as monumentais estátuas dos apóstolos nas colunas da igreja. Os primeiros, bem à frente já no presbitério, Pedro e Paulo. Pedro, o primeiro papa na coluna do lado do Evangelho, revestido com o pálio pontifício e a abençoar a maneira dos papas. Na outra mão, Cefas ou Simão, como era também conhecido, segura as simbólicas chaves do céu e da terra. No lado oposto está Paulo a abrir um pergaminho, uma de suas cartas, e segura no lado direito uma espada, lembrando o seu martírio. Aliás, ambos foram mortos por causa de sua fé em Cristo. Pedro no Vaticano, onde depois se construiu a basílica que leva seu nome, e Paulo fora da cidade, ou seja, fora da proteção de seus muros, onde também se construiu uma basílica, igreja de um mosteiro beneditino (São Paulo fora dos muros). Paulo foi decapitado, Pedro crucificado. Este indigno de ter uma morte semelhante a de seu Senhor, pediu a seus algozes que lhe crucificassem de ponta cabeça e a arte também se encarregou de retratá-lo assim.

Viva São Pedro! Viva São Paulo! Principais líderes da Igreja primitiva, os dois escolheram Roma e de lá, cada um a seu modo se encarregou de transmitir a fé que nos chegou, assim como os demais companheiros que se espalharam pelo mundo levando a mensagem da salvação, como o Cristo lhes havia mandado quando subia aos céus.

 

 

 

 

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo

 

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