Num tempo de correria em que se precisa de tudo para já, acabamos por não comer bem, pois com pressa, simplesmente comemos qualquer coisa, produzida de qualquer jeito, descendo goela abaixo, sem nem sentir o sabor, sem nem saber do que se trata.

 

Este ritmo a nós imposto nos fez que esquecêssemos de nós mesmos. Damos muito atenção a algo que não necessitamos muito, enquanto que ao que é realmente importante, negligenciamos.

Embora se fale tanto em saúde, e encontramos tantos produtos “saudáveis” nas prateleiras de supermercado, ou restaurantes especializados em comida saudável, isto muitas vezes não passa de um sistema de consumo exacerbado. Pensamos que está tudo bem. Mas apesar de termos à nossa disposição tantos produtos ditos saudáveis, tanta academia, tantas atividades que exalta o físico e usam como mote a vida saudável, estamos mais doentes ainda.

Falta-nos, antes de tudo, uma espiritualidade na refeição. Não rezamos mais agradecendo a Deus pela comida, o “pão nosso de cada dia” que Ele nos oferece. Tiramos Deus de cena. Não deixamos que Ele nos passe o tempero da vida para que o possamos acrescentar nos pratos que preparamos.

São Bento ao escrever sua regra, lembra do serviço prestado pelos monges que preparam a refeição para a comunidade, mas lembra também que é a comida sustento do corpo. Escreve a medida da comida, pensando na saúde dos monges. Ele sabe que a falta de alimento não é algo saudável, assim como não é saudável também o excesso.

Nos mosteiros os monges e monjas rezam antes e após as refeições, agradecendo as dádivas divinas, e pedindo força para trabalharem e harmoniosamente encontrarem a felicidade.

Cozinhar com amor é algo deveras importante, mas hoje em dia, se tornou algo quase mecânico, sem sentimento. Falta espiritualidade não apenas à mesa, no refeitório, mas também na cozinha. Rezar enquanto se está cozinhando, cantar, colocar alegria, temperar com boas energias o ambiente, com toda certeza a comida fica muito mais gostosa. Do contrário, cozinhar com mal humor, com raiva ou ódio, a comida perderá o seu sabor ou podemos nos intoxicar, pois se tornou veneno para quem vai dela se alimentar. Por isso que até aqui a oração da Medalha de São Bento se faz importante: bebe tu mesmo dos teus venenos”, é uma ordenação ao mal que quer nos atingir.

Cozinhar é coisa séria. É algo religioso. Aliás, de uma profunda religiosidade. Devemos ter cuidado ao adentrar a cozinha, que deve ser considerado um lugar mágico, onde acontecem coisas maravilhosas. Não para qualquer um “invadir” este espaço sagrado.

Devemos deixar nossa refeição ser abençoada. Rezar antes de iniciar os trabalhos na cozinha e rezar também ao encerrar as atividades lá. Rezar ao iniciar a refeição e rezar também ao termino. Comer com calma, degustando cada prato e sentindo seu verdadeiro sabor. Estar por completo à mesa, sem se distrair com televisão e celular. Viver integralmente nos permite ser mais saudáveis.

E se quiser repetir um pouco, saborear mais uma porção daquela iguaria “divina” até pode. Garanto que isso não será gula. Mas atenção” Só mais um pouquinho.

 

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo

 

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