5 de julho de 1924 parecia ser mais um dia comum na Paulicéia de Mário de Andrade. Mas esta data entrou para a história, pois iniciava a Revolução Tenentista.

De manhã, bem cedo, começou uma movimentação pelo centro da cidade. Às 7h, 2.500 soldados – a maioria tenente, daí o nome da revolução – rebeldes abriram fogo com dois canhões e atingiram uma das torres do Mosteiro de São Bento, que começava uma missa. Estourou a revolução! – muitos gritaram. Os mais ricos, como os barões do café, deixaram a cidade e se recolheram em suas fazendas, longe do pânico. Muitos pobres, a maioria imigrante, não conseguiram sair. Ficaram no campo de batalha sem entender nada daquilo que estava acontecendo.

Moradores da Mooca e do Brás, por exemplo, ilhados em suas casas, sem poderem sair para nada, pois podiam ser confundidos e alvejados por tiros, começaram a sofrer com a falta de água e comida. Por isso, a população faminta, saqueou empórios, mercearias e armazéns. Mas a fome perdurava. Assim, muitos pais de família tiveram que arriscar suas vidas, atravessando as barricadas e trincheiras em busca de alimentos para os seus. Muitos não voltaram.

O Mosteiro de São Bento funcionou como um hospital improvisado para acolher os que sofriam. E não apenas a estes. O abade Dom Miguel Kruse enviou monges a alguns bairros para atender a população mais necessitada. Levaram remédios e comidas. Mais de 6.000 pessoas foram atendidas pelos monges.

Foram 23 dias de uma verdadeira guerra com mais de 500 mortos, 5.000 feridos e 1.182 prédios destruídos. Sinais deste período podem ser vistos ainda hoje no mosteiro. Quem vem em direção ao Largo de São Bento pelo Viaduto Santa Ifigênia, poderá se deparar com a parede lateral do Colégio de São Bento com marcas de balas.

Após o conflito, o então abade mandou erguer um belíssimo altar em honra ao Sagrado Coração de Jesus como agradecimento a Deus por ter protegido o mosteiro, os monges e quem no prédio se abrigou, durante aqueles fatídicos dias. Este altar está bem ao lado da porta da clausura, por onde entram os monges para as celebrações. Ao lado da imagem do Sagrado Coração de Jesus, Santa Mactildes (monja beneditina) e Santa Margarida Maria de Alacoque (monja Visitandina). Estas duas santas eram devotas do Sagrado Coração. A primeira, iniciou a devoção; a segunda, teve a graça da visão.

 

 

 

Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB
Mosteiro de São Bento de São Paulo

 

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